Quando a cólica deixa de ser “normal”, o corpo pode estar pedindo investigação médica
Durante muito tempo, mulheres cresceram ouvindo que sentir dor forte durante a menstruação fazia parte da vida. Faltar a compromissos, cancelar planos, depender de remédios todos os meses ou passar horas deitada esperando a dor passar foi tratado, por muitas gerações, como algo comum.
Mas dor incapacitante não deve ser normalizada.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que pode afetar diferentes fases da vida feminina, inclusive a adolescência. E, apesar de ser uma condição frequente, ainda existe um atraso importante no diagnóstico.
Uma matéria publicada pela Veja Saúde destacou que brasileiras com endometriose levam, em média, 3,8 anos para receber o diagnóstico. A publicação também trouxe que a doença pode afetar até 15% da população feminina e ainda é desconhecida por quatro em cada dez brasileiras.
Recentemente, a Dra. Graciela Morgado, ginecologista especialista em endometriose e dor pélvica, levou esse tema para veículos como Veja Saúde e Capricho, além de participar de congresso médico dedicado ao aprofundamento do assunto. O objetivo é ampliar a informação, reduzir a normalização da dor e ajudar mais mulheres a entenderem quando é hora de procurar ajuda.
O que é endometriose?
A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o útero internamente, aparece fora da cavidade uterina.
Esse tecido pode se instalar em regiões como ovários, trompas, intestino, bexiga, peritônio e outras áreas da pelve. Como responde a estímulos hormonais, pode gerar inflamação, dor e impacto importante na qualidade de vida.
É uma doença heterogênea, ou seja, não se manifesta da mesma forma em todas as mulheres. Algumas pacientes têm sintomas intensos. Outras podem ter poucos sinais e descobrir a doença durante investigação de infertilidade ou exames específicos.
Por isso, o olhar médico treinado faz tanta diferença.
Quais são os principais sintomas da endometriose?
A cólica menstrual intensa é um dos sinais mais conhecidos, mas não é o único.
Entre os sintomas que podem acender um alerta estão:
Dor menstrual forte, principalmente quando impede a mulher de estudar, trabalhar ou manter a rotina.
Dor pélvica fora do período menstrual.
Dor durante ou após a relação sexual.
Inchaço abdominal recorrente.
Alterações intestinais no período menstrual, como diarreia, constipação ou dor para evacuar.
Sintomas urinários cíclicos.
Fluxo menstrual intenso ou prolongado.
Fadiga crônica.
Dificuldade para engravidar.
Na matéria da Veja Saúde, a Dra. Graci reforça que um ponto importante é observar a ciclicidade dos sintomas, ou seja, quando eles pioram no período menstrual e se repetem ao longo dos ciclos.
Endometriose na adolescência: por que esse alerta importa?
A endometriose não é uma doença que aparece apenas na vida adulta.
Em entrevista à Capricho, a Dra. Graci explicou que a endometriose pode começar ainda nos primeiros anos após a primeira menstruação. Por isso, adolescentes que sentem dores intensas não devem esperar o início da vida sexual para procurar uma ginecologista.
Esse ponto é essencial porque muitas meninas passam anos acreditando que a dor faz parte da menstruação.
Cólicas que fazem faltar aula, cancelar planos, abandonar treinos, depender de remédio todos os meses ou ficar de cama precisam ser investigadas.
A dor feminina ainda é muito invalidada. E, quando isso começa cedo, o diagnóstico pode demorar ainda mais.
Por que o diagnóstico da endometriose demora tanto?
O atraso no diagnóstico da endometriose tem várias causas.
Uma delas é cultural: muitas mulheres crescem ouvindo que dor menstrual forte é normal. Outra é a falta de escuta. Quando a paciente relata dor e recebe respostas como “isso é cólica mesmo”, “é estresse” ou “toda mulher sente”, a investigação pode ser adiada.
Na matéria da Veja Saúde, dados de uma pesquisa citada pela publicação mostraram que 77% das mulheres diagnosticadas afirmaram que suas queixas já foram desconsideradas, principalmente por familiares e médicos.
Isso mostra que falar sobre endometriose não é apenas falar sobre uma doença. É também falar sobre validação da dor, acesso à informação e cuidado especializado.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da endometriose começa com uma consulta médica detalhada.
A ginecologista avalia o histórico da paciente, os sintomas, o ciclo menstrual, o impacto da dor na rotina, antecedentes familiares, vida sexual, saúde intestinal, saúde urinária e desejo reprodutivo, quando houver.
Depois, exames podem ser solicitados conforme a necessidade de cada caso.
Entre os exames frequentemente utilizados estão a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve, especialmente quando realizados por profissionais capacitados no mapeamento da doença.
Mas o ponto principal é: o exame não substitui a escuta clínica.
A investigação começa quando a dor da paciente é levada a sério.
Existe tratamento para endometriose?
Sim. O tratamento da endometriose evoluiu muito nos últimos anos.
A conduta depende do tipo de sintoma, localização das lesões, intensidade da dor, idade da paciente, desejo de engravidar e impacto da doença na qualidade de vida.
De forma geral, o cuidado pode envolver tratamento medicamentoso, terapia hormonal, cirurgia em casos selecionados, fisioterapia pélvica, acompanhamento nutricional, manejo da dor, atividade física orientada, sono, controle de estresse e medicina do estilo de vida.
Na Veja Saúde, a Dra. Graci reforça que o tratamento da endometriose tem três grandes objetivos: controlar a dor, frear a progressão da doença e preservar a qualidade de vida.
Por ser uma condição crônica, o cuidado não deve ser pensado apenas como uma solução pontual. O acompanhamento precisa ser individualizado, contínuo e multidisciplinar.
O papel do GTC HER no cuidado da mulher com suspeita de endometriose
No GTC HER, a saúde feminina é conduzida com escuta, investigação e cuidado médico especializado.
Quando falamos de endometriose, isso se torna ainda mais importante. Muitas mulheres chegam ao consultório depois de anos tentando entender sintomas que foram normalizados, minimizados ou tratados de forma fragmentada.
A proposta é olhar para a mulher de forma completa: dor, ciclo, intestino, bexiga, fertilidade, rotina, qualidade de vida, saúde emocional e possibilidades de tratamento.
A presença da Dra. Graci em matérias de grande alcance e em congressos médicos reforça a importância de levar informação qualificada para mais mulheres, mas também de transformar essa informação em cuidado prático dentro da consulta.
Quando procurar uma ginecologista especialista?
Procure uma consulta médica se você sente dor intensa na menstruação, dor pélvica recorrente, dor na relação sexual, alterações intestinais no período menstrual, fluxo intenso, fadiga constante ou dificuldade para engravidar.
Também vale investigar se a dor interfere na sua rotina.
Dor que faz você faltar a compromissos, depender de remédio com frequência ou reorganizar sua vida todos os meses merece atenção.
Você não precisa esperar piorar para buscar ajuda.
Conclusão
A endometriose ainda é uma doença cercada por demora, dúvidas e sintomas normalizados.
Mas a informação muda esse caminho.
Quando uma mulher entende que dor incapacitante não é normal, ela passa a buscar respostas com mais segurança. E quando encontra uma médica especialista, com escuta qualificada e olhar treinado, a investigação ganha mais precisão.
Se você sente sintomas recorrentes ou suspeita de endometriose, agende uma consulta médica com a Dra. Graci no GTC HER e acompanhe nossos conteúdos para ficar por dentro de informações sobre saúde feminina, diagnóstico e possibilidades de tratamento.
Agendar Consulta• Publicação para divulgação de conteúdo médico, com caráter exclusivo para educação e informação, conforme art. 75, cap IX do Código de Ética Médica; despacho CFM 143/2019 e expediente Depro-SBCP 047/2019.
• Antes de qualquer procedimento, é fundamental a avaliação pela médica
• Cada pessoa é única: este conteúdo não é uma promessa ou garantia de resultados. Os procedimentos são personalizados para cada paciente
• As variáveis para o resultado final incluem o procedimento em si, mas também as características físicas, peso, qualidade de pele, alimentação adequada, entre outros fatores da vida pessoal de cada paciente
• Todo e qualquer procedimento médico possui riscos. Informar-se com sua médica de confiança é fundamental
• Imagens autorizadas pela paciente.
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